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Plano de desenvolvimento individual (PDI): como fazer, modelo para copiar e exemplo de um gestor

Por Fernanda Daniel · 6 de novembro de 2026

O plano de desenvolvimento individual (PDI) é um acordo escrito entre a pessoa, o gestor e o RH sobre o que ela vai desenvolver, como e com que apoio. Um bom PDI foca em poucas competências. As ações misturam prática no trabalho, troca com outras pessoas e formação, e cada uma tem prazo e uma evidência que mostre a mudança no dia a dia.

Nos meus 24 anos de RH, vi muitos PDIs nascerem no fim do ciclo de avaliação e morrerem semanas depois, numa pasta que ninguém abria. O formulário estava completo. Faltavam a conversa antes dele e o acompanhamento depois. Na Evonce, a gente parte dessa experiência. Quando ajudamos uma empresa a desenvolver os seus líderes, o primeiro ajuste quase sempre está no processo em volta do plano.

O que é plano de desenvolvimento individual e para que serve?

PDI é a sigla de plano de desenvolvimento individual. Ele transforma em ações a distância entre o que a pessoa faz hoje e o que o cargo atual, ou o próximo, vai pedir dela. Para a pessoa, organiza o próprio crescimento. Para o gestor, vira a pauta das conversas individuais. E o RH, quando junta os planos, enxerga quais competências se repetem e onde vale investir num programa coletivo.

O PDI também responde a uma lacuna que aparece nas pesquisas de engajamento. No levantamento global do Gallup, só três em cada dez empregados concordam totalmente com a frase “há alguém no trabalho que incentiva o meu desenvolvimento”. Um plano escrito, com o gestor acompanhando de perto, é um jeito simples de começar a mudar essa resposta dentro de um time.

Como fazer um PDI passo a passo?

O PDI funciona quando cada um conhece o seu papel. O RH desenha o modelo e o calendário, o gestor conduz a conversa e a pessoa é dona do plano. Esta é a ordem que eu recomendo.

  1. Comece pela conversa, e deixe o formulário para depois. O gestor pergunta o que a pessoa quer para os próximos um ou dois anos e conta o que a área vai precisar dela. O plano nasce no encontro dessas duas respostas.
  2. Junte as evidências antes de escolher o foco, como a última avaliação de desempenho, os feedbacks de pares e do time e, quando houver, um assessment. Isso evita um PDI baseado só na impressão do gestor.
  3. Escolha uma ou duas competências. Com cinco frentes abertas ao mesmo tempo, nenhuma anda.
  4. Escreva o objetivo como um comportamento que alguém consiga observar. A sigla SMART, proposta por George Doran em 1981, ajuda a revisar a frase. Ela pede um objetivo específico, mensurável, com um responsável, realista e com prazo.
  5. Distribua as ações pela regra 70-20-10, com pelo menos uma de experiência, uma de relação e uma de formação.
  6. Defina quem apoia cada ação e qual evidência vai mostrar que ela aconteceu.
  7. Marque as revisões já na primeira conversa. Um ponto rápido por mês nas reuniões individuais e uma revisão maior a cada trimestre mantêm o plano vivo.

A regra 70-20-10 aplicada ao PDI

O modelo nasceu nos anos 1980, nas pesquisas do Center for Creative Leadership (CCL) com executivos bem-sucedidos. Entre os pesquisadores estavam Morgan McCall, Michael Lombardo e Robert Eichinger. Parte dessa base está no livro “The Lessons of Experience”, de McCall, Lombardo e Ann Morrison, publicado em 1988. Segundo o CCL, líderes aprendem com três tipos de experiência. A proporção é de 70% em desafios e projetos no trabalho, 20% em relações de desenvolvimento e 10% em cursos e treinamentos.

Use os percentuais como referência, e não como conta exata. Andrew Jefferson e Roy Pollock, num texto publicado pela ATD em 2014, tratam a regra como um modelo teórico. Os números vêm do relato de executivos sobre o que os marcou, sem uma medição do aprendizado por trás. O recado continua útil para qualquer PDI: um plano feito só de cursos aposta na menor fatia do aprendizado.

Tipo de açãoO que éExemplos
Experiência (70)Aprender fazendo, com um desafio um pouco acima do nível atualConduzir um projeto, assumir uma reunião, cobrir as férias do gestor, entrar num grupo de trabalho de outra área
Relação (20)Aprender com outras pessoasMentoria, feedback estruturado do time, acompanhar um colega que é referência no tema, conversas com o gestor
Formação (10)Aprender de forma estruturadaTreinamento, workshop, curso ou leitura com uma aplicação combinada no trabalho

Modelo de PDI para copiar

Copie a tabela para uma planilha ou um documento e repita a linha para cada ação. Um PDI enxuto tem um objetivo e de três a cinco ações, com pelo menos uma de cada tipo.

ObjetivoCompetênciaAção (70/20/10)PrazoApoioEvidência
O que a pessoa vai conseguir fazer, escrito em uma fraseQual competência está por trás desse objetivoO que ela vai fazer e de que tipo é a ação: experiência (70), relação (20) ou formação (10)Data de início e data da revisãoQuem ajuda e com o quê, seja o gestor, o RH, um mentor ou um colegaO que alguém vai observar no trabalho quando a ação tiver dado certo

A coluna de evidência é a que mais vejo em branco. Sem ela, gestor e pessoa chegam à revisão sem saber se houve avanço e acabam discutindo impressões.

Exemplo de PDI preenchido: um gestor que precisa delegar

O exemplo é de um coordenador que assumiu o primeiro time há poucos meses e continua resolvendo sozinho tudo o que chega à mesa. Na avaliação, o time disse que ele domina o trabalho técnico e é difícil de acessar. O diretor dele quer que sobre tempo para planejar o próximo ano.

ObjetivoCompetênciaAção (70/20/10)PrazoApoioEvidência
Delegar as entregas recorrentes da área e usar o tempo liberado para acompanhar o timeDelegaçãoExperiência (70): passar a condução da reunião semanal de indicadores para duas pessoas do time e participar só como ouvinteComeça no mês 1, com revisão no mês 3O diretor combina com ele o que pode dar errado sem prejuízo para a áreaReuniões conduzidas pelo time e horas de agenda liberadas por semana
Mesmo objetivoDelegação e feedbackRelação (20): conversas quinzenais com uma gerente de outra área conhecida por desenvolver o próprio time, mais um pedido de feedback a duas pessoas da equipe no mês 3Do mês 1 ao mês 6O RH apresenta a mentora interna e ajuda a combinar a agendaAnotações das conversas e o feedback do time comparado ao da avaliação anterior
Mesmo objetivoFeedbackFormação (10): módulo de feedback do programa de líderes, com um plano de aplicação apresentado ao diretor na semana seguinteMês 2O RH inscreve o coordenador na turma do programa de líderesDuas conversas de feedback feitas e registradas no mês seguinte ao módulo

Repare que nenhuma ação depende só do coordenador. Delegar se aprende com espaço para errar, e quem abre esse espaço é o diretor dele. Por isso ele entra no plano desde a primeira linha.

O que muda no PDI para líderes?

No PDI de quem lidera, as competências quase sempre são de comportamento. Dar feedback, delegar, conduzir conversas difíceis e decidir sob pressão só aparecem na relação com as pessoas. Por isso a evidência precisa vir delas. Um feedback 360 no começo e outro depois de seis meses mostram mais do que a autoavaliação do líder.

Para líderes-chave, a parte de relação pode ganhar um acompanhamento individual. Na mentoria executiva corporativa da Evonce, a gente começa com um assessment de entrada e faz a devolutiva com o líder. Dali sai um plano de ação alinhado ao que a empresa espera, que orienta as sessões individuais. Para turmas, os treinamentos de liderança cobrem a fatia da formação com módulos escolhidos a partir do diagnóstico.

Quando o líder quer olhar também para a própria carreira, além do cargo atual, o PDI conversa com um plano mais pessoal. Escrevi sobre esse outro lado em planejamento de carreira para gestores e diretores, com um roteiro para os próximos 12 meses.

Erros comuns no plano de desenvolvimento individual

  • Fazer o PDI no mesmo dia da avaliação. A pessoa ainda está digerindo o feedback e assina o que for proposto. Deixe uma ou duas semanas entre as duas conversas.
  • Abrir frentes demais. Sete competências num plano viram uma lista de desejos. Uma ou duas competências bem trabalhadas rendem mais no mesmo semestre.
  • Ter só curso no plano. Treinamento sem aplicação combinada fica na sala. Toda ação de formação pede uma ação de experiência logo em seguida.
  • Escrever objetivos que ninguém consegue observar. “Melhorar a comunicação” não diz o que vai mudar. “Apresentar o resultado do mês para a diretoria sem a ajuda do gestor” diz.
  • Esquecer o PDI até o próximo ciclo. Sem revisão marcada, o plano perde para a urgência da semana. O RH pode ajudar com um lembrete trimestral e uma pergunta simples ao gestor sobre o que andou.

Depois dos PDIs, o trabalho do RH

Quando os planos de uma área ou da empresa inteira estão escritos, o RH tem nas mãos um retrato das necessidades de desenvolvimento. Se a mesma competência aparece em boa parte dos PDIs dos gestores, ela pede um programa coletivo, e não trinta soluções individuais. Nesse momento o PDI deixa de ser um formulário e passa a alimentar as trilhas de uma universidade corporativa, quando a empresa chega a esse estágio.

Perguntas frequentes

O que é um PDI?

PDI é o plano de desenvolvimento individual, um acordo escrito entre a pessoa, o gestor e o RH. Ele registra o objetivo, as competências, as ações, os prazos, o apoio e a forma de acompanhar a evolução.

O que colocar em um PDI?

Um objetivo que dê para observar, uma ou duas competências e de três a cinco ações que misturem experiência no trabalho, troca com outras pessoas e formação. Cada ação precisa de prazo, de alguém que apoie e de uma evidência de que aconteceu.

Quem é responsável pelo PDI?

A pessoa é dona do plano. O gestor conduz a conversa e abre espaço para as experiências. O RH cuida do modelo, do calendário e da preparação dos gestores para essas conversas.

De quanto em quanto tempo revisar o PDI?

Vale um ponto rápido por mês, nas reuniões individuais, e uma revisão completa a cada trimestre. O plano inteiro pode ser refeito uma vez por ano, junto com o ciclo de avaliação.

Qual a diferença entre PDI e avaliação de desempenho?

A avaliação olha para trás e mostra como foi o período. O PDI olha para a frente e organiza o que a pessoa vai desenvolver a partir do que a avaliação mostrou.


Quer estruturar o PDI dos seus líderes com assessment, devolutiva e plano de ação? Conheça a mentoria executiva corporativa da Evonce.

Se a mesma competência aparece em vários planos, um treinamento de liderança in company pode atender a turma inteira, com módulos escolhidos a partir do diagnóstico.

Fontes

  1. Center for Creative Leadership. The 70-20-10 Rule for Leadership Development. 24 de abril de 2025.
  2. McCall, M. W.; Lombardo, M. M.; Morrison, A. M. The Lessons of Experience: How Successful Executives Develop on the Job. Lexington Books, 1988.
  3. Training Industry. What Is the 70-20-10 Model? Consulta em 6 de novembro de 2026.
  4. Jefferson, A.; Pollock, R. 70:20:10: Where Is the Evidence? ATD, 2014.
  5. Doran, G. T. There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives. Management Review, v. 70, n. 11, p. 35-36, 1981.
  6. Gallup. How to Measure Employee Engagement With the Q12. Consulta em 6 de novembro de 2026.

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